Eu odeio Ele – Meu primeiro e terrível contato com a morte

Capítulo 26

“…Mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor.” (Romanos 6:23)

– Está tudo bem com você? – O policial mais velho perguntou.

– Sim. Ele morreu?

– Provavelmente sim. – Respondeu o Ricardo. – E seu namorado parece não ter muitas chances. – Lamentou.

– Por favor, vocês precisam ajudá-lo.

– Ricardo liga pra emergência, agora.

– Priscila, Seus pais estão vindo, vai ficar tudo bem. – Pela segunda vez na minha vida um estranho sabia meu nome, mas diante da situação, isso não importava, eu só queria que o Fumaça dissesse, mesmo com dificuldade, que tudo ia ficar bem.

– Aguenta firme. – Percebi que era minha vez de dizer que tudo ia acabar bem, mas por algum motivo não consegui.  

– Priscila… – Chamou com dificuldade, seus olhos abriam e fechavam lentamente.

– Shiu… Não fala nada…

– Tá doendo. – Sua fragilidade partiu meu coração e tudo o que eu pensava era em acabar com seu sofrimento. Abracei ele como se isso fosse fazer a dor parar. Agarrei em seu pescoço, como se sua vida dependesse disso.

– Eu sei, mas vai passar, você só precisa ser forte.

– Me… Me perd…oa? – Seu semblante era de completo sofrimento e isso fazia uma aura de escuridão paira sobre nós. Não havia esperança.

– Fumaça, por favor, nem pense em me deixar. – Tentei não soar desesperada, mas foi impossível.

– Você pod…pode me perd… perdoar?

– Sim! – Murmurei, entre lágrimas e soluços, em seu ouvido. – Eu vou te ajudar, prometo.

– Você foi a mel… melhor coisa… – Ele parecia parar para puxar o ar. – Q…qu.qu.. que me aconteceu.

– Fumaça, por favor…

Não sei quando exatamente, mas a Marli chegou e estava de joelhos, do nosso lado. Os olhos dele se voltaram pra ela.

– Estou com… medo. – Pensei que falava comigo, mas não.

– Não precisa ficar, lembra do que te falei uma vez? – Ele assentiu, com muita dificuldade.  – Você consegue. – Ela encorajou e confesso que senti ciúmes daquele diálogo. Quem ela pensava que era para roubar aqueles preciosos momentos que eu ainda tinha com o Fumaça?

Abri a boca para dizer mais uma vez que ele ia ficar vivo, mas fechei quando ele me olhou com os olhos quase fechados e a boca trêmula.

Não conseguia para de analisá-lo, não podia aceitar que nunca mais o veria com raiva, com ódio e com paixão. As lágrimas estavam me consumindo. Coloquei meu rosto novamente em seu pescoço, eu estava em pânico.

Com a mão sobre seu coração, senti quando ele, aos poucos, foi parando de bater, e junto desligou metade do meu.

Continua…

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