Eu odeio Ele – Parecia um conto de fadas

Capítulo 22

“Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte.” (Provérbios 14:12)

Uma semana depois ainda não tínhamos voltado a trabalhar. O Fumaça disse que não podíamos confiar no Ronald.

– Ele joga dos dois lados, mas na hora que o bicho pega sempre apoia o Miguel.

– Então será que ele já não entregou que estamos aqui?

– Não faço ideia, é por isso que temos que pensar em ir embora.

– Só não quero voltar pra casa do Daniel, por favor.

– Eu jamais faria isso com você. – Segurou minha mão e apertou. Apenas esse toque foi o suficiente para despertar uma descarga elétrica em mim. – Aliás, me perdoa por aquilo.

– Tá tudo bem, já passou mesmo. – Minha voz embargada entregava a mentira. Não estava tudo tão bem assim. Eu ainda pensava naquelas mãos passeando pelo meu corpo e sentia ânsia de vômito.

– Vem cá… – Me deixei ser envolvida por aqueles braços que não eram mais estranhos.

– Fumaça, porque a Dóris aceita as coisas erradas do filho?

– Ela se sente culpada. – Disse, enquanto eu encostava a cabeça no seu ombro.

– Pelo o que?

– O marido abandonou eles quando o Dan tinha apenas 8 anos e antes disso, todos os dias ele batia no filho. Acho que a Dóris pensa que se tivesse colocado o esposo pra fora de casa mais cedo, teria evitado o comportamento agressivo do Daniel.

Fiquei chocada com aquela revelação.

– Mas isso não justifica os atos dele hoje.

– Verdade, mas a infância conturbada fez o Daniel crescer revoltado e desequilibrado.

– Só que você não é assim.

– Como eu disse, ás vezes é só uma questão de escolha.

Assenti e ele deu um sorriso.

– O que foi?

– Você nunca concorda comigo, devo ficar preocupado?

– Só se você continuar sorrindo desse jeito que faz meu coração acelerar.

Dessa vez sorrimos os dois e quando vi já estávamos nos beijando novamente.

O Fumaça produzia um efeito sobre mim que até hoje não sei explicar. Ao mesmo tempo que sentia vontade de me afastar tinha uma necessidade de ficar. Era como se ele fosse o veneno e o remédio.

– O que você está fazendo comigo? – Sussurrou enquanto beijava avidamente meu ouvido.

– Te beijando? – Respondi confusa. Naquele estado a última coisa que eu conseguia era raciocinar direito.

– Me enlouquecendo, isso sim!

Voltou a trabalhar em minha boca e mais uma vez, quando sua língua encontrou a minha, todos os fios de cabelo do meu corpo se arrepiaram e eu estremeci da cabeça aos pés.

Nossas bocas se encaixavam perfeitamente, pareciam ter sido feitas uma pra outra, e eu só pensava em como queria congelar aquele momento.

– Vamos para o quarto?

– Hum rum… – Murmurei, mais uma vez dando permissão para continuarmos. Não importava quantas vezes dormíssemos juntos, ele sempre me olhava antes, como se estivesse pedido permissão. E eu amava aquilo.

Continua…

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