Eu odeio Ele – Um estranho sabia meu nome. Não, ele conhecia toda a minha vida

Capítulo 3

“Não se alegre quando o seu inimigo cair, nem exulte o seu coração quando ele tropeçar.” (Provérbios 24:17)

A primeira coisa que pensei foi na dor. Ele tinha atirado e em algum momento meu cérebro paralisado ia descobrir em qual parte do meu corpo tinha sido atingida.

Alguns segundos depois percebi que eu não era a vítima ali.

O Toddy estava estirado completamente apagado e com a barriga toda ensanguentada. Seu amigo permanência no meu mesmo lugar de antes e na mesma posição, a única novidade era a arma em sua mão.

Com o olhar fixo na direção do selvagem, ele parecia em choque. Admito que aquela cena me deu um certo prazer. Senti que o garoto do banheiro estava sendo vingado.  

 – Será que ele está morto?

– Não sei, mas temos que sair daqui.

Eu sabia que aquela era a chance que precisávamos pra correr, mas por algum motivo me senti em dívida com o Fumaça, afinal de contas, ele atirou no amigo para proteger duas desconhecidas. 

– Não, calma, precisamos falar com o garoto.

– Você está louca? Ele vai nos matar! – Não me deixei abalar pelo pânico na voz da Clara.

Confesso que não era só agradecimento. Eu senti um pouco de pena dele. Por causa do seu olhar mortificado, a sensação era de que o Fumaça tinha atirado no próprio pai.

Ignorei os apelos de fuga da minha amiga e segui em sua direção.

– Você está bem? – Realmente não sei o que deu em mim.

– Saiam daqui! – Minha aproximação o fez despertar do transe.

– Não precisa falar assim! Só vim agradecer. – Rebati, e hoje me perguntou se eu estava querendo morrer naquela noite. Enfrentei um garoto que não conhecia e que tinha acabado de usar a arma em sua mão.

 – Por mim, já estávamos em casa há muito tempo. – A Clara se meteu e me puxou pelo braço.

– Sua amiga está certa, Priscila, vão logo!

A menção do meu nome não me passou despercebido.

– Como você sabe meu nome? – Perguntei perturbada. Eu tinha acabado de conhecer eles. Era a primeira vez que ia à uma festa. Nunca na vida ouvi o nome Fumaça ou Toddy. Então o que explicava o fato daquele estranho saber quem eu era.

Minha desconfiança aumentou quando ele rapidamente se moveu em direção ao corpo do amigo.

– Eu ouvi sua amiga te chamar. – Respondeu, se abaixando e tocando os braços do Toddy.

Era mentira. A Clara não tinha falada meu nome auto o suficiente para que ele ouvisse.

– Priscila, vamos logo! – Minha amiga estava aos prantos. Vê ela daquele jeito me fez entender que eu não tinha tempo pra descobrir quem era aquele menino na minha frente ou o outro estirado no chão.

E foi assim, com a curiosidade e o pânico borbulhando em minhas veias, que eu deixei pra trás um jovem caído sem nenhum sinal daquela pessoa monstruosa que era, e um garoto assustado que tinha acabado de usar uma arma no sujeito que devia ser o mais próximo de amigo que ele tinha.

Continua…

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